LAVANDERIA | poesia pra dançar + -……..Daniel Castanheira | Omar Salomão | Ericson Pires

 

Ritmo permeando o discurso. Ritmo como uma forma de impressionar os deuses (…). Ritmo, uma compulsão (Nietzsche)

Os alicerces da poesia se estruturam no ritmo – métrica, rima, a cadência das palavras,  divisão em estrofes – diversos recursos poéticos que criam fluidez ao texto, geram ritmo (a palavra soneto significa em sua origem “pequeno som”). A idéia do espetáculo  é fundir a palavra poética escrita, o texto poético, com a linguagem musical eletrônica – samplers, mashups, mixagens, distorções, ruídos – criando um terceiro elemento, que não é uma música/canção convencional: o poema se mantém falado, recitado, lido, e não cantado; se mantém poema, verso, para ser ouvido, absorvido, com a musicalidade própria das palavras do poema, do sentido, da voz da poesia – como escreve Fernando Pessoa, “poesia é uma música que se faz com idéias” – mas sem perder o fator sensorial da música, o transe do ritmo, a compulsão do ritmo. Cria-se assim uma espécie de espetáculo poético para dançar, para fluir, sem dobrar poesia à música, à melodia. O rap já se utilizou do ritmo – rap: rhythm and poetry – para musicalizar textos mais rebeldes, menos fechado a melodia. Entretanto, no rap a palavra acaba por se tornar refém do ritmo da música, e, por conseqüência, refém de uma métrica. O verso, que no século XX se encontrou livre, novamente aprisionado. Tentamos um trabalho inverso, trazer o poema para a dimensão da música, sem restringi-lo à dimensão da música, sem restringi-lo ao universo melódico, mas também sem perder o tempo do ritmo, a pulsão que dá vida ao corpo. Ritmos sobrepostos. Um espetáculo de experimentações de vozes, idéias, ritmos e performance. A música que fala sem barreiras ao sentimento. A poesia, música feita com idéias.
.lav.
YouTube Preview Image
YouTube Preview Image