Segundo livro de Omar Salomão, Impreciso, é antes de tudo uma busca poética. Composição de linguagens que dialogam – fotografia, desenho e poesia – o livro resulta num trabalho plástico e literário. O livro de Omar foi um dos projetos contemplados pelo edital de Novos Autores Fluminenses da Secretaria de Estado de Cultura. Seu primeiro livro, À Deriva (2005), também foi publicado pela Dantes Editora.

artes visuais, poesia, fotografia
18 x 25 cm
120 páginas
4 cores
isbn 9788586488375
2011

 


Apresentação por Ernesto Neto

Omar um jeito de ser

uma atenção de olhar
um cabelo que cai, um sorriso que vai

Omar, um tamanho que abraça
do livro que me chega aos olhos
uma palavra, uma imagem, um traço, um trago
um desenho, uma página, num espaço vago
Omar um desconhecido conhecido
por caminhos Dantes nunca navegados
uma Anna, um mundo, um caderno livro
troca, desejos, sabores, perseverança
corpos de texto flutuantes daquele que escreve
picadas, avenidas nuas daquele que lê
sabores flores daquele que edita

Omar indefinido mar
que no nome Salomão
rei filho pai, par pão
na alma da boca que fala
desenhos cores amores perfumes

Omar nas letras, nos traços, nas fotos
na variante penumbra de um texto livro
que no virar de cada página
não quer só ser lido
na quebra do tradicional texto poema corrido
surge no caminhar dos dedos este objeto poema
livro
fotos desenhos volumes de texto perdidos
no espaço pomar cotidiano deste livro

Omar preciso do impreciso mar
Omar pra ler prolhar pro saborar
denso chumbo leve de retalhos tece
no avesso da escrita das cores fotos
na sombra ar das pedras palavras arrisca risca inventa vento
a cada copo do generoso olhar
mais uma folha pra viver Omar

– Ernesto Neto

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Introdução

IMPRECISO é, antes de qualquer outra coisa,uma busca poética. Uma tentativa de fluir sem amarras, sem terno, gravata, uniforme. Em 2005 lancei meu primeiro livro À Deriva (Dantes Editora) e preparava um segundo para lançar em 2009; mas, de repente, o livro – editado, tipografado, impresso – não fez mais sentido. Eu queria que o objeto tivesse vida além da leitura. Queria que a parte visual se tornasse um elemento participativo da minha escrita. Que conteúdo e forma pudessem se somar gerando por vezes uma terceira camada – subjetiva – que revelasse o que não consigo esconder de mim. Impreciso é uma busca poética. A deformação lúdica do sonho.

Os poemas perderam os títulos, se fragmentaram, se confudiram. Nesse processo de escrita, reescrita, me afeiçoei à minha letra, às minhas rasuras, ao meu caderninho. Tornou-se parte do processo a intensidade que encontro/invento nas frases. Como se a caligrafia mantivesse o texto quente e cheio de segredos. A fragilidade também se encontra na escrita do poema, feita com lápis de olho, que borra com o toque. O lápis dos olhos dela, a instabilidade dos olhos, para exprimir o interior dele.

Impreciso é texto e imagem, porque ser poeta é enxergar o mundo com outro olhar, não domesticado, enviesado. Impreciso porque, como disse Merleau-Ponty, “o escritor, enquanto profissional da linquagem, é um profissional da insegurança”.

– Omar Salomão


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VITRINE ESPECIAL NA LIVRARIA DA TRAVESSA LEBLON

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Jornal O Globo – Segundo Caderno – Gente Boa – 27.12.2011

 

 

 


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