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essa semana tem versos meus do Impreciso no Blog do Noblat.
todo dia entra um novo às 23h30.
uma bela cortesia Pedro Lago
+ chama | boneca de pano | procuro | quero ficar aqui | o corpo | desenhar | ainda
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essa semana tem versos meus do Impreciso no Blog do Noblat.
todo dia entra um novo às 23h30.
uma bela cortesia Pedro Lago
+ chama | boneca de pano | procuro | quero ficar aqui | o corpo | desenhar | ainda




“Mas um Shelley, um Baudelaire, um Rilke intervêm no mais profundo de nosso organismo, que os incorpora como o faria com um vício. Em sua proximidade, um corpo se fortifica, e logo debilita-se e desagrega-se. Pois o poeta é um agente de destruição, um vírus, uma doença disfarçada e o perigo mais grave, embora maravilhosamente impreciso, para os nossos glóbulos vermelhos.”
Cioran, “Breviário de Decomposição”.



era fogo procurando ar para rasgar o céu


“Para mim, elas, de fato, são ocupações muito diferentes. Se eu quiser escrever um ensaio de filosofia, basta que me aplique a desenvolver e explicar determinadas ideias. Desde que eu trabalhe e não desanime, o ensaio ficará pronto, mais cedo ou mais tarde.
Não é assim com a poesia. A poesia é ciumenta e não aparece a menos que eu lhe dedique todo o meu espírito, todos os meus recursos, todas as minhas faculdades, sem garantia alguma de que, mesmo fazendo tudo o que ela exige, eu consiga escrever um poema. Não me basta trabalhar para que nasça um poema.
Isso me lembra que o poeta inglê W. H. Auden dizia com razão, que:
Aos olhos dos outros, um homem é um poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre“.
Antonio Cicero. Poesia e Filosofia. Coleção Contemporânea. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 2012.


flor de fios, desfiz

.
vem
diz pra mim o que está
acontecendo
por quê
escureceu tão cedo
linhas tremidas de giz
o vento abrindo a porta
que fechei
me diz se vem, se vou
cansar
o horizonte arranhado
me diz se devo ir tão longe
se os desenhos que eu não fiz
vão se apagar
linhas de giz
e os planos que eu tanto quiz
os risos que eu não ri
as casas sem jardim
vão cansar, cessar, sumir
vou desenhar os fios
separados / céus riscados
embolados em nós
cegos
os riscos secos do giz, menos que a memoria, vão?


