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essa semana tem versos meus do Impreciso no Blog do Noblat.
todo dia entra um novo às 23h30.
uma bela cortesia Pedro Lago

chama | boneca de pano | procuro | quero ficar aqui | o corpo | desenhar | ainda

borracha com tinta | 25cm | 2011 – 2012

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“Mas um Shelley, um Baudelaire, um Rilke intervêm no mais profundo de nosso organismo, que os incorpora como o faria com um vício. Em sua proximidade, um corpo se fortifica, e logo debilita-se e desagrega-se. Pois o poeta é um agente de destruição, um vírus, uma doença disfarçada e o perigo mais grave, embora maravilhosamente impreciso, para os nossos glóbulos vermelhos.”

Cioran, “Breviário de Decomposição”.

era fogo procurando ar para rasgar o céu

Para mim, elas, de fato, são ocupações muito diferentes. Se eu quiser escrever um ensaio de filosofia, basta que me aplique a desenvolver e explicar determinadas ideias. Desde que eu trabalhe e não desanime, o ensaio ficará pronto, mais cedo ou mais tarde.

Não é assim com a poesia. A poesia é ciumenta e não aparece a menos que eu lhe dedique todo o meu espírito, todos os meus recursos, todas as minhas faculdades, sem garantia alguma de que, mesmo fazendo tudo o que ela exige, eu consiga escrever um poema. Não me basta trabalhar para que nasça um poema.

Isso me lembra que o poeta inglê W. H. Auden dizia com razão, que:

Aos olhos dos outros, um homem é um poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre.

Antonio Cicero. Poesia e Filosofia. Coleção Contemporânea. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 2012.

flor de fios, desfiz

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vem

diz pra mim o que está

acontecendo

por quê

escureceu tão cedo

linhas tremidas de giz

o vento abrindo a porta

que fechei

me diz se vem, se vou

cansar

o horizonte arranhado

me diz se devo ir tão longe

se os desenhos que eu não fiz

vão se apagar

 

linhas de giz

e os planos que eu tanto quiz

os risos que eu não ri

as casas sem jardim

vão cansar, cessar, sumir

vou desenhar os fios

separados /  céus riscados

embolados em nós

cegos

os riscos secos do giz, menos que a memoria, vão?

 


Entrevista Band NewsTV ao vivo – 22.03.2012